Qualquer cidadão que aceita participar da Administração Pública, o faz por julgar-se tecnicamente preparado para o exercício da função e por, de certa forma, comungar da ideologia política daquele que o convidou. No exato momento em que orientações ou comportamentos passam a ser divergentes administrativa e/ou politicamente, por ética e respeito, o agente público (ou político) deve pedir sua exoneração.
Os secretários ausentes, se descontentes estavam, deveriam ter pedido exoneração no momento oportuno. Não é correto "pularem do barco" no apagar das luzes do exercício do cargo que lhes foi conferido.
Os políticos ausentes, como não fazem parte do poder executivo, não foram nomeados pela governadora. Mas aqueles que pertencem ao mesmo partido da ex-chefa do executivo deveriam se recordar da campanha política, ocasião em que utilizaram a popularidade da estrela maior do PT para, nos diversos palanques instalados em todo Estado do Pará, alavancarem suas candidaturas.
Não votei na ex-governadora e não reconheci como válidos alguns de seus atos administrativos, mas, no momento de transmissão do cargo ao seu sucessor, devo reconhecê-la como uma mulher de fibra, de têmpera forte, com a coragem suficiente para enfrentar um palanque presumivelmente hostil (o que se confirmou com as vaias que lhe foram dirigidas) e como verdadeira democrata.
Os ausentes me levaram a conclusões lamentáveis. Provavelmente pela conduta somente agora externada explicitamente tenham ajudado a governadora a perder a disputa política. O egoísmo demonstrado pelos ausentes, jamais seria conjugado para o coletivo partidário. A sensibilidade que deve permear o ser humano ficou também ausente de seus corações ao permitirem a mulher, e sua governadora, enfrentar sozinha seu último ato como gestora do Estado. Na realidade eles não lutaram uma luta digna, pois, ao final não tiveram coragem de socorrer e apoiar os que feneceram no campo de batalha e, ostensivamente, se desagregaram. A derrota foi do PT, do governo Ana Júlia e dos seus secretários, mas, ao final, dentre todos, a única a manter a dignidade na derrota foi a governadora, os ausentes foram ratos covardes em navio que afunda, dentre eles, infelizmente, alguns fardados ou armados.
De tudo se tira aprendizado na vida, principalmente nos erros, os de escolhas são os mais doídos. Seus assessores, e "companheiros" de partido, se desnudaram somente no fim da luta. A ampulheta do tempo não para. Amanhã será outro dia...
quarta-feira, 5 de janeiro de 2011
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