quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

Como se Faz um Deputado

Muita gente não consegue entender como uma pessoa como o Sr Cláudio Puty, sem qualquer expressividade política, conseguiu um significativo número de votos e se elegeu Deputado Federal pelo Estado do Pará.

Outros, porém, mais acostumados com os meandros da política partidária em nosso país, não se assombraram com o ocorrido. Sabem que, excetuando fenômenos como o do palhaço Tiririca, a “trática’ é sempre a mesma: a descarada “compra de votos” financiada com recursos públicos ou por meio do tráfico de influência daqueles que exercem o poder nos diversos níveis da estrutura estatal.

Eis a razão de os integrantes dos mais desprezíveis Partidos Políticos oferecerem apoio ao chefe do Poder Executivo (seja ele quem for) em permuta por cargos e “boquinhas” nos diversos órgãos da Administração Pública. A importância do Partido é medida pela relevância dos cargos que recebe e pelo volume de recursos que manipula.

Essa infame troca de favores escusos, camuflada sob o nome de “aliança pela governabilidade” é realizada nas barbas de toda a sociedade, sem que ninguém ouse criticar os verdadeiros objetivos que subjazem a essa malfazeja prática.

Como a reforma política é uma quimera em nosso país, o mais despreparado aspirante a cargo público político sabe que para lograr algum sucesso nessa seara, precisa deixar o orgulho de lado e se aliar aos poderosos de plantão, mesmo que as idéias destes sejam diametralmente opostas às suas. Na política brasileira não cabe uma moral pautada em imperativos categóricos. Kant foi sepultado a mais de sete palmos pelos políticos tupiniquins.

O resultado de um sistema de conveniências como esse é o enfraquecimento dos Partidos de oposição, fundamentais para um ambiente político que se pretende democrático. Estes ficam relegados ao isolamento no senado, Câmaras e Assembléias Legislativas de todo país. Esse fenômeno é nacional. Tanto lá como cá o governo comanda sem obstáculos nas casas legislativas.

No Pará, no início deste ano, a sôfrega democracia foi apunhalada durante a sessão de escolha do novo presidente da Assembléia Legislativa. Por pouco Manoel Pioneiro, do PSDB, não foi aclamado por unanimidade. Até os supostos opositores votaram no candidato do governo, com o propósito de obterem cargos na estrutura de poder da casa. Os ideais foram para as “cucuias”, mais uma vez, em nome de cargos e favores.

Na atual política brasileira, cargos e favores são tão imprescindíveis que até inimigos mortais ignoram as desavenças e se abraçam como se fossem companheiros de longas datas. Isso prova que os interesses pessoais e a luta pelo poder estão acima de qualquer construção abstrata. É burro quem ousar defender uma idéia em oposição a esse "senso pragmático" que, indubitavelmente, tem produzindo insofismáveis resultados.

A prova irrefutável deste raciocínio está nas entrelinhas do artigo de autoria do repórter Carlos Mendes, publicado na edição deste domingo do jornal “O diário do Pará”, o qual transcrevo na íntegra para reflexão daqueles que, apesar dos pesares, ainda não abdicaram do direto de pensar, tendo como referência princípios e valores racionais.
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