Aos poucos fui purificando e aperfeiçoando a minha alma, livrando-a da intemperança, paixões e valores individuais e instáveis que brotam sem aviso e geram a inconstância que perturba e afasta a felicidade.
Aprendi a amar com serenidade e calma. Não há razão para crer que a vida é um improviso. Fui crescendo em estima pelas coisas do pensamento, com a dignidade de um impávido herói, capaz de renunciar ao mais primitivo sentimento para lutar contra os que ameaçam a verdadeira paz. E me fiz forte. E mais forte eu me senti ao perceber que não estava só.
Assim passei a sentir pena dos seres solitários e ansiosos. Enfraquecidos por uma vida de muitos desvarios que, como loucos, mesmo no meio de tantos estão sós, embriagados por um egoísmo intrigante. Vivem do que apraz no instante, como se o amanhã fosse apenas um eterno reiniciar de um processo doloroso de existência, a que somente alguns se propõem.
Mas como tudo na vida é maravilhosamente sedutor, fui afetado pela dúvida voraz que teoria alguma coloca. Posta por uma aventura repleta de caminhos desconhecidos, torpes e ruins. Como uma vida assim pode incomodar tanto? Como posso ter sido mobilizado por um estranho desprezo do mundo, mas com uma vitalidade indizível, expressa apenas pela mera resistência às coisas que tanto estimo?
E a confusão se instalou em um ser se tinha forte, tão senhor de si, mas que foi se desmilinguindo ante uma rebeldia sem igual, como que contaminado pela universalidade contagiante de uma criança qualquer. Assim uma nova vida brotou da terra, com um centro em si mesmo, porém incomunicável pela razão, mas perceptível pela imaginação de quem sente o cheiro bom que vem do mato.
sábado, 1 de agosto de 2009
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